A Metáfora do Panóptico

No nosso dia a dia podemos perceber a vigilância em diversas instâncias. No trabalho, no hospital, no aeroporto, comprando alguma buginganga na Internet… e na escola.

Em reportagem do Jornal Hoje, da Rede Globo, em 20 de Agosto desse ano, podemos verificar o debate provocado dentro de uma escola (e fora dela) quando se dá visibilidade aos dispositivos de vigilância. Neste caso, os dispositivos são as câmeras para filmar as aulas e os diversos dados disponibilizados aos pais dos alunos, online, para que no mesmo dia aqueles possam saber como foi o dia dos seus filhos.

E ai ?

Que perguntas devem ser feitas em um momento desses ? E se fizéssemos as perguntas que seguem abaixo ?

Será que o espírito liberal e a energia do cidadão livre não seriam substituídos pela disciplina mecânica de um soldado ou a austeridade de um monge ? E não será que o resultado desse sofisticado dispositivo não será o de produzir um conjunto de máquinas sob a aparência de homens ?(*)

Pois estes foram apenas alguns dos questionamentos que fez Jeremy Bentham, em 1787, ao discutir sobre a implantação do panóptico não só nas penitenciárias (Casa de Inspeção), mas também nas escolas.

Mas para ele, mesmo com todas aquelas considerações, era sim aplicável sem exceção, a todos e quaisquer estabelecimentos, nos quais, num espaço não demasiadamente grande para que possa ser controlado ou dirigido a partir de edifícios, queira-se manter sob inspeção um certo número de pessoas.

Teríamos na vigilância dentro das escolas, então, uma metáfora ao panóptico de Bentham.

Seria assim possível se perceber uma semelhança entre o velho dispositivo arquitetônico e os dispositivos disponíveis hoje através de novas e não tão novas tecnologias. O edifício central de onde se visualizaria todos os movimentos daqueles que se desejaria vigiar pode ser comparado, de uma maneira metafórica, com as câmeras espalhadas pela escola da reportagem.

Discussões explodem, em diversas ordens, quando o assunto é Controle. E quando se discute Vigilância, de uma forma ou de outra, se discute também Controle. E a partir dai surgem questões éticas, políticas, e de uma forma geral, questões vitais para se debater o futuro da democracia.

Quarta-Feira volto para novas análises.

Enquanto isso espero que aqueles que por aqui navegam possam fazer suas críticas ou complementar o trabalho de pesquisa que por aqui vou deixando.

(*) As citações de Bentham encontram-se no livro O Panóptico, da Editora Autêntica

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Sobre cbaqueiro

Graduado em História e Jornalismo. Pós-Graduando em Jornalismo e Convergência Midiática, com pesquisa sobre o tema Vigilância e Controle Social
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Uma resposta para A Metáfora do Panóptico

  1. >a ERA DOS PANÓPTICOS vem se espalhando por vários momentos históricos, isso sem que os indivíduos levantem a sua voz e se articulem/ organizem para "matar" no nascedouro esses "projetos" que visam tão somente cercear o princípio inalienável de cada um: ser único!não faz muito tempo que stalin (urss), adolf hitler (alemanha)e fidel castro (cuba) com uma refinada tecnologia (deduragem) incentivavam até crianças a delatarem seus próprios pais…e nesta primeira década do século XXI, em terras venezuelanas, temos o hugo chávez criando "seus" organismos de vigilância & controle (as tais milícias bolivarianas), cuja única finalidade é a de tentar silenciar os seus possíveis opositores instalando a divergência entre a população.

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