Resenha: Sorria, Você está Sendo Controlado

Hoje postamos aqui uma pequena resenha sobre o livro Sorria, Você está Sendo Controlado: Resistência e Poder na Sociedade de Controle com autoria de Sonia Regina Vargas Mansano, editado pela Summus Editorial, em 2009.

A autora deste livro é psicóloga e leciona na Universidade Estadual de Londrina.

No livro, Mansano parte do princípio de que vivemos em uma sociedade de controle, com base nas afirmações de Giles Deleuze.

Na introdução ela inicia uma contextualização histórica desta sociedade. Busca auxílio na literatura, com George Orwell (1984) e Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo). Ela lembra que o Grande Irmão de Orwell via tudo “graças a convergência das informações que lhe chegavam”, podendo “interferir, e, em certa medida, dirigir a vida dos que lhe eram submetidos”. (página 15).

Mostra que este controle se daria no mundo orwelliano a partir de dispositivos disciplinares, como Michel Foucault teorizava com relação ao nosso mundo. E seria em nosso mundo que o monitoramento a partir dos dispositivos invade nosso cotidiano.

Mas atualmente estaríamos saindo da sociedade disciplinar (Foucault) para a sociedade de controle (Deleuze). Nesta última o controle “se disseminou no cotidiano e passou a fazer parte da vida da população sem ser necessariamente identificado como tal”. (página 17).

Mas para Deleuze estaríamos (escreveu em 1996) num período de transição. Isto torna mais complexa a percepção da mudança, pois as forças de mudança “guardam ainda uma dimensão invisível e indizível, pois intervêm nas esferas mais capilares do cotidiano das populações”. (página 45).

Uma das possíveis percepções é de que os dispositivos de controle já não se encontram apenas em mãos de instituições poderosas, como o Estado, as grandes empresas, mas disseminado pela sociedade.

Para analisar estes “dispositivos de controle contemporâneos” a autora busca respostas em situações cotidianas nas quais se faz presente, através de leitura de jornais, sites, encartes publicitários, programas televisivos.

Ela busca exemplos na área criminal no monitoramento de criminosos, auxiliado por satélites, com uso de “coleiras”, ou “braceletes” eletrônicos, ainda pouco usados no Brasil (“por respeito à dignidade do condenado”, ou pelo próprio custo).

Ao final do livro a autora lembra Deleuze e Guattari observando que “as possibilidades de resistência são criadas por ocasião de cada novo encontro… e assim as linhas de resistência são ensaiadas durante o contato do sujeito com a passagem dos dados e dos fluxos que atravessam seu cotidiano e com os quais ele produz novas e inusitadas combinações”. (página 180).

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Sobre cbaqueiro

Graduado em História e Jornalismo.
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