O Contra-Controle

Mesmo sendo um autor que muitos educadores consideram arauto das Ditaduras Sul-Americanas, e do Ensino Tecnicista, Autoritário e Manipulador, gosto da leitura de B.F.Skinner quando o assunto é Controle. Em seus livros há inclusive capítulos e sub-capítulos com os títulos Controle e Contra-Controle.

Ele nos explica, por exemplo, dentro de um desses livros (Sobre o Behaviorismo, Edt.Cultrix), essa quase eterna condição de luta entre, metaforicamente falando, gatos e ratos, vigilantes e vigiados.

Para ele, neste ambiente conflituoso torna-se natural que muitos daqueles que se sentem controlados passem a agir.

Escapam ao controlador – pondo-se fora de seu alcance, se for uma pessoa; desertando de um governo; apostasiando de uma religião; demitindo-se ou mandriano – ou então atacam a fim de enfraquecer ou destruir o poder controlador, como numa revolução, numa reforma, numa greve ou num protesto estudantil. Em outras palavras, eles se opõem ao controle com contra-controle.

Já havia citado, entre as postagens já feitas aqui, como Skinner percebia o risco que o uso de tecnologias de controle social (incluindo aqui as de vigilância e de manipulação de comportamento). Ele escreve o seguinte no mesmo livro já citado acima :

Órgãos ou instituições organizados, tais como governos, religiões e sistemas econômicos e, em menor grau, educadores e psicoterapeutas, exercem um controle poderoso e muitas vezes molesto. Tal controle é exercido de maneiras que reforçam de forma muito eficaz aqueles que o exercem e, infelizmente, via de regra significa maneiras que são ou imediatamente adversativas para aqueles que sejam controlados ou os exploram a longo prazo.

Para ele, aquelas tecnologias (com seus primeiros passos dados em finais do século XIX) seriam utilizadas de uma maneira ou de outra, como o foram, por nazistas alemães e stalinistas soviéticos, para usufruto de grupos que estivessem no poder . O recomendável, nesse sentido, seria estudá-las, aprimorá-las e utilizá-las com prudência.

Nortear-nos através de críticas e abordagens como a de Skinner e por uma ética humanista neste momento é mais do que necessário, para perceber o quanto toda possibilidade de vigilância sem freios pode ser prejudicial para a Democracia, e até que ponto ela pode ser entendida como natural ou vantajosa dentro de nossa sociedade.

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Sobre cbaqueiro

Graduado em História e Jornalismo.
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3 respostas para O Contra-Controle

  1. >tomo a liberdade de "colar" um pequeno extrato de um texto do professor Líper (UFBa.):"Pois é, todo mundo leva a sério a psiquiatria! Não sei se ela tem alguma fundamentação científica. Tudo que mexe com o comportamento humano sofre a influência da ideologia das elites sociais. Confira esses dois vídeos. Vá no Youtube e digite no setor procura:Psiquiatria: Sem Ciência, Sem Curas (legendado)Dr. Thomas Szasz e a psiquiatria (legendado)"para aprofundar esta questão:http://osinimigosdorei.blogspot.com/2010/03/psiquiatria-e-embromacao.html

  2. Anonymous disse:

    >Michel Foucault (tradução de Nildo Avelino):"Nenhum poder existe por si! Nenhum poder, qualquer que seja, é evidente ou inevitável! Qualquer poder, consequentemente, não merece ser aceito no jogo! Não existe legitimidade intrínseca do poder! E a partir dessa posição, a démarche consiste em perguntar-se o que é feito do sujeito e das relações de conhecimento no momento em que nenhum poder é fundado no direito nem na necessidade; no momento em que qualquer poder jamais repousa a não ser sobre a contingência e a fragilidade de uma história; no momento em que o contrato social é um blefe e a sociedade civil um conto para crianças; no momento em que não existe nenhum direito universal, imediato e evidente que possa, em todo lugar e sempre, sustentar uma relação de poder qualquer que ela seja. Vocês vêem, portanto, que entre isso que se chama, grosso modo, a anarquia, o anarquismo e o método que eu emprego é certo que existe qualquer coisa como uma relação."

  3. tania disse:

    >Uma janela indicreta !! é o que vivemos,e de que seremos acusados?o que buscam de fato? mais crimes perfeitos não deixam suspeitos…

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