O Drama do Panóptico

O Panóptico como já afirmei anteriormente surge devido ao desejo desenvolvido por Jeremy Bentham de conseguir uma resposta eficiente que produzisse um novo ordenamento, racional e jurídico, a uma sociedade que a cada dia que passava (Inglaterra dos anos finais do Sec. XVIII) tolerava menos os improdutivos, os vadios, os delinquentes.

Além do que o “Homem Racional”, representação característica do Século das Luzes, não via mais com bons olhos os castigos “clássicos” (como podemos ler no capítulo introdutório de Vigiar e Punir de Michel Foucault).

Portanto era necessário estabelecer métodos e dispositivos que facilitassem o controle, por exemplo, sobre homens e mulheres presas em penitenciárias (cada dia mais lotadas e cheias de corrupção), sobre os loucos nos hospícios, ou sobre crianças e adolescentes nas escolas.

No livro já citado na postagem anterior, em texto complementar (posfácio da edição francesa de 1977), O Inspetor Bentham, a historiadora Michelle Perrot nos conduz a uma análise crítica do Panóptico, dispositivo considerado ideal por Bentham para vigilância e controle em espaços fechados.

Trago aqui parte deste texto para o deleite daqueles que por aqui navegam.

Boa leitura e Quarta-Feira volto a postar.

*****

O Panóptico exerce na vida e obra de Bentham um lugar considerável.

Durante vinte anos, a realização de tal projeto foi sua maior obsessão, uma espécie de idéia fixa que por vezes surpreendeu seus amigos e foi até tachada de loucura. Tornar-se diretor de um cárcere modelo, responsável por uma torre de controle, por um local de observação, foi sua maior ambição – por ela se arruinou.

É que o inspetor central encarnava, muito mais do que um guarda de prisão, a imagem mesma do poder, fundamentada numa grande convicção no poder da educação e da disciplina.

Para Bentham “se encontrarmos um meio de controlar tudo o que pode acontecer a um certo número de homens, de dispor de tudo o que os rodeia, de modo a causar neles a impressão que queremos produzir, de assegurarmo-nos de suas ações, de suas ligações, de todas as circunstâncias de sua vida, de maneira que nada possa escapar nem opor-se ao efeito desejado, não podemos duvidar que um meio dessa espécie será um instrumento muito enérgico e muito útil que os governos poderiam aplicar a diferentes objetivos da maior importância”.

Grandiosa abertura de toda uma literatura totalitáría, O Panóptico é um grande texto político, sobre o qual Michel Foucault assinalou a importância: não se poderia fazer melhor.

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Sobre cbaqueiro

Graduado em História e Jornalismo.
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3 respostas para O Drama do Panóptico

  1. >toda essa parafernalha eletrônica (câmeras etc.) tem por objetivo colocar os indivíduos sobre uma hipotética e constante vigilância…fomentando, através desses ferramentais tecnologicos, "corpos dóceis, mentes vazias, corações frios" (ierecê rego beltrão, editora imaginário)

  2. Anonymous disse:

    >Bom trabalho !!!Ótimas fontes de pesquisa.Fernanda Alencar, SP

  3. Anonymous disse:

    >.Foucault,(1997):É polivalente em todas as suas aplicações: serve para emendar os prisioneiros, mas também para cuidar dos doentes, instruir os escolares, guardar os loucos, fiscalizar os operários, fazer trabalhar os mendigos e ociosos.

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