Análise do Discurso da Mídia

Para entendimento da forma com que se é possível se conseguir formar opinião, para que a Vigilância e o Controle Social possam ser vistos de uma maneira naturalizada, como mencionei na postagem anterior, creio ser necessário estabelecer dois conceitos: Discurso e Identidade.

Entendo os discursos como uma forma de conhecimento, mas não apenas como algo que “as pessoas possuem em suas cabeças, e sim algo que constroem juntas”(1). Sendo as construções discursivas parte da construção maior que vem a ser a própria sociedade em que vivemos, onde as ações, idéias e esquemas são criados e recriados, onde o eventual torna-se hábito, e vice-versa. E então, todos os significados subjetivos tornam-se realidade objetiva, até que novas subjetividades interajam neste sistema cíclico.

Exemplos singulares daquelas fontes de discursos que interagem entre si são as mídias, através das quais grupos tentam se posicionar, e até se sobrepor, com relação aos outros. Então é ali que os grupos podem recriar a realidade, ou criar uma nova representação e imagem dela.

Antonio Cruz, a partir das suas leituras do linguista russo Mikhail Bakhtin, esclarece o que vem a ser o Discurso:

“… de um lado, é reflexo das condições materiais/concretas em que se desenvolvem a luta política e a ação social; mas ao tentar fixar significados, ele também refrata estas condições, orientando as ações dos sujeitos, que por sua vez transformam esta realidade. Em outras palavras, ao mesmo tempo em que ele representa simbolicamente o real (reflexo), o discurso também incide sobre a realidade, acrescentando objetividade a ela, inserindo uma nova situação à medida que aquela leitura transcende-se em ação social discursivamente orientada (refração). O que, por sua vez, exige que novos discursos reflitam e expliquem a nova realidade, num processo dialético infinito”. (2)

E leve-se em conta que os processos discursivos a cada dia que passa adquirem maior importância como instrumento de reflexão e compreensão da vida, como também das identidades sociais, neste mundo altamente informatizado e semiotizado. Estamos todos em grande medida, e cada vez mais, posicionados em identidades de acordo com nossas vinculações dentro de um ou outro discurso, ou melhor, de uns ou outros discursos, obtidos através da persuasão direta, ou por meios subliminares.

Portanto, os indivíduos se relacionam uns com os outros, e é a partir de sua ação coletiva, dentro das relações sociais, incluídos ai os discursos, que as identidade nascem.

É o Discurso da Mídia, particularmente das grandes emissoras de TV, que pretendo analisar, e perceber como ali, nas reportagens sobre o tema Vigilância, aquelas emissoras e seus editores e proprietários, agem para persuadir ou direcionar as opiniões do seu público.

No próximo post, no Domingo que vem, apresentarei minhas ideias a respeito da construção de identidades.

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  1. SPINK, Mary Jane (Org.). Práticas Discursivas e Produção de Sentidos no Cotidiano. Cortez. São Paulo. 2000. Pág. 25.
  2. CRUZ, Antônio. A Janela Estilhaçada: A Crise do Discurso do Novo Sindicalismo. Editora Vozes. Petrópolis. 2000. Pág. 38.
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Sobre cbaqueiro

Graduado em História e Jornalismo.
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