Fluxo de Dados versus Privacidade

A maioria das pessoas ainda não está acostumada com o termo Mineração de Dados. Mas, a cada dia que passa, há mais dados de quase todas as pessoas do mundo em Bancos de Dados diversos: Folha de Pagamentos, Informações Médicas, Compras em Supermercados, Dados de Monitoramento por GPS, Notas Escolares, etc, etc, etc.

Se você fosse um comerciante de sapatos, por exemplo, gostaria de possuir dados filtrados de uma infinidade de indivíduos que lhe deixasse a par daqueles que gostam (ou mesmo adoram) comprar sapatos, compulsivamente ? Não seria uma boa maneira de você direcionar sua campanha publicitária e torná-la bem menos onerosa ?

É justamente esse fenômeno de procurar e filtrar informações em bancos de dados que se chama de Mineração de Dados (Data Mining). É este tipo de mineração que faz com que sejam possíveis as investigações que faz a Polícia Inglesa no filme The Last Enemy (mostrado em uma postagem há dias atrás). São dezenas de milhares de vídeos gravados diariamente, armazenando imagens tanto de indivíduos alvo de alguma vigilância quanto pessoas comuns, que andam nos metrôs, nas lojas de conveniência, ou entrando e saindo dos condomínios onde moram. Ou com suas ações, seja dirigindo por alguma rua no centro da cidade, seja passando o cartão de identidade para entrar em um restaurante, sendo devidamente registradas. Na série de ficção inglesa tudo é armazenado e fundido em um só grande Banco de Dados (O T.I.A.).

É essa infinidade de informações, como bits e bytes eletrônicos, traduzida pelos sistemas de vigilância inteligentes em dados inteligíveis aos olhos e ouvidos humanos, que Gilles Deleuze percebeu ser a base de sustentação da Sociedade de Controle. E quanto mais os indivíduos pudessem ser relacionados a bancos de dados, e quanto mais os fluxos e modulações provenientes das ações daqueles indivíduos pudessem ser digitalizadas, mais controlada seria a sociedade.

Se todo este fluxo de informações disponibilizados em rede pode ser utilizado por pequenos comerciantes de sapatos, ou de livros, ou remédios, para entender os perfis individuais e coletivos, fortalecendo padrões, ou estabelecendo tendências, imagine para grandes corporações e para o Estado.

O Fim da Privacidade, que tem sido estudada ao extremo nestes tempos de super-exposição em redes sociais, é apenas um pequeno problema para os indivíduos que ainda teimam em resistir a Sociedade de Controle. Quando um sistema governamental tiver possibilidade de manter as pessoas satisfeitas através da propagação do que poderíamos definir como Pensamento Único, a partir de uma complexo e eficiente manipulação das informações que fluem pelos milhões de bancos de dados (fundidos ou não), ai sim, teremos um grande problema. Talvez o último dos problemas.

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Sobre cbaqueiro

Graduado em História e Jornalismo.
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Uma resposta para Fluxo de Dados versus Privacidade

  1. João disse:

    Os dados podem ser destruídos? Deletados? Usar ou não este recurso para promover mais justiça e liberdade negando o controle e o autoritarismo?

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